Restrição de Crescimento Fetal

O que é a Restrição de Crescimento Fetal?

A Restrição de Crescimento Fetal (RCF) é a condição em que o bebê não cresce o que era esperado durante a gestação. A RCF pode decorrer de alterações genéticas, infecções maternas que são transmitidas ao feto, desnutrição materna, radiação,  entre outras causas. Contudo, a causa mais freqüente de RCF é sem dúvidas a Insuficiência Placentária, ou seja, quando a placenta deixa de exercer sua função primordial de fornecer oxigênio e nutrientes ao bebê.

A Insuficiência Placentária geralmente está associada à doenças hipertensivas gestacionais, trombofilias e gestantes com histórico de perdas gestacionais recorrentes. É uma condição progressiva, ou seja, uma vez deflagrada não cessa, podendo evoluir tanto lenta quanto rapidamente.

O feto restrito pode ser divido em dois tipos: o de início precoce e o início tardio.

  • O precoce é aquele cuja restrição começa antes da 32ª semana de gestação. É a forma mais grave, associada à uma alta taxa de complicações e mortalidade perinatal (antes, durante e após o parto), além de estar associada à pré-eclâmpsia (doença grave que acomete a gestante levando a pressão arterial elevada) em 50% dos casos.
  • O tardio, que responde por quase 80% de restrição, é um quadro mais brando. Acontece após a 32ª semana de gestação. Apesar de ser considerada menos severa que a precoce, ainda sim está associada a uma maior taxa de complicações e até mesmo de morte perinatal, quando comparado aos bebês normais.

Por que é importante diagnosticar a Restrição de Crescimento Fetal?

Primeiramente, por causa da elevada incidência: estima-se hoje que 1 em cada 10 gestantes possam evoluir com RCF; principalmente na forma tardia. Em segundo lugar, é importante saber que além do risco de morte do bebê, existe uma alta taxa de complicações possíveis, que variam desde a dificuldade respiratória ao nascer, a baixa pontuação do Apgar, a internação em UTI e até mesmo sequelas neurológicas; além disso, esse indivíduo fica propenso a desenvolver doenças cardiovasculares (como a hipertensão), obesidade e diabetes, na vida adulta.

Como diagnosticar a RCF?

O diagnóstico se faz pela análise do peso do bebê ou pela circunferência abdominal, isoladamente ou em conjunto com o estudo Doppler (que avalia o fluxo do bebê, da placenta e o materno).

Um vez diagnosticada a RCF, o que fazer?

É necessário determinar, por meio da análise clínica do feto, qual o grau de insuficiência placentária e qual a repercussão dessa doença sobre o bebê. Para avaliar o funcionamento placentário, é necessário a realização do estudo Doppler. Esse estudo avalia múltiplos vasos no intuito de determinar se existe resistência ao fluxo de sangue na placenta (seja pelo lado do feto, seja pelo lado da mãe) além de verificar por meio do fluxo cerebral fetal se o mal funcionamento placentário está repercutindo no bebê.

O seguimento é personalizado conforme o grau de insuficiência placentária e/ou acometimento fetal. Espera-se que o estudo Doppler possa garantir o bebê dentro do útero o maior tempo possível.